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Meu Adversário

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Ansiava por este dia. Uma meta individual e silenciosa. Desde sempre, meus treinos eram isto. Treinos. Treinos para algo mais. Não. Não desejava uma luta profissional. Não desejava lutar. Mas minha meta era treinar com ele. Contra ele. Dia após dia suei. Estudei cada movimento. Como socar. Como fazer a alavanca com o corpo. Como me defender. Como atacar para me defender. Correr cada vez mais. Esquivar. Aguentar cada vez mais. Um assalto. Dois. Três. Quatro. Cada assalto extra é uma maratona. Três minutos eternos. Respirações eternas. Raiva transformada em movimento. Concentração. Um dia seria chamado para o ringue. Um dia lutaria contra o próprio mestre. Contra o professor. Um dia. Dediquei os movimentos dos pés. Sincronizei-os com os ombros. Coordeneis meus braços cansados. Olhos furiosos. Calmos. Dedicados. Focados. Em um treino cheio, apenas enxergava o adversário. Suas luvas. Seus movimentos. Suas fraquezas e seus pontos fortes. “Você!”, disse. Venha aqui! Foram meses de dedicação ...

Confiança na Guarda

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    E lá pelas tantas, cá estava eu suando, esbaforido de cansaço. O ar pesava para entrar e sair do corpo. O treino havia iniciado há pouco tempo, porém após alguns rounds desferindo golpes no saco, o corpo já emitia sinais de cansaço. Bater cansa muito, mas apanhar cansa muito mais. Por isto eu tentava me manter ativo o máximo possível nos treinos. Minha guarda já estava razoavelmente boa, faltava melhorar a potência dos socos e, naquele dia, o professor insistia bastante neste assunto. Sou o mais fraco e lento do treino, porém, sinceramente, isto não me abala nenhum um pouco. Pelo contrário, mais de um ano após iniciar o boxe já vi muita gente entrar e desistir com menos de um mês de suor. Continuar me põe no mesmo patamar dos mais antigos, nos iguala em pelo menos uma característica: a persistência. Os demais iniciantes foram desistindo, um a um, semana após semana. Alguns cansaram de pular corda, outros não suportaram a ardência que sentimos no braço para manter a guarda ...

Dentro do Ringue

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Treino boxe há pouco mais de 1 ano. Comecei devagar. Primeiro é necessário aprender a pular corda e a postura. Postura correta: barriga para dentro, levemente direcionada ao lado, braços em posição de guarda. Um protege a face, o outro o queixo. Olhos atentos ao adversário a frente. Primeiro o adversário é imaginável, depois se transforma em uma saco vermelho (muitas vezes vagabundo) que te olha sempre com olhos apáticos e rasgados. Muito depois se materializa em um colega. Jab, direto, se movimentar. Pular corda é muito difícil, mas acaba-se aprendendo. Difícil mesmo é aguentar pular sem parar. Vem com o tempo. Também com determinação. Mas tempo é importante A esquiva é complicada. Bater é fácil. Evitar o soco são outros quinhentos. Nem quinhentos são, mas alguns meses de preparação se fazem necessários. Ainda não aprendi. Esquiva é mais complicado mesmo. O saco esquiva bem. Na aula acerta-se uma sequência no saco: jab-jab-direto-jab. Ele começa a se movimentar. A próxima sequência nã...