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Mostrando postagens com o rótulo O Povo Gostou Que Só Destas

Meu Baobá

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  A todos os pedidos de desculpas não ditos. A todas a feridas abertas e não cicatrizadas. A todas as mentiras declaradas como verdade. A todos os momentos que gostaria de ter novamente.   A tudo isto, planto uma semente em meu Coração que, rapidamente, germina. Seu fruto é uma bela e frondosa árvore que cresce, cresce e cresce... Cresce até sua copa alcançar meu Espírito. E, como um belo baobá invertido pelos antigos Deuses Africanos, seus galhos criam raízes por lá também. Mas esta árvore espiritual é tão bela quanto venenosa e, sendo assim, danosa. Conecta emoções diferentes. O Coração é tempestivo. O Espírito é longevo. E, ao criar tantas raízes fortes acima e abaixo do seu tronco, pois esta é a natureza do Baobá, estabiliza, fixa tantas coisas. Estabiliza tanto terreno quanto fixa veneno. A todas estas sementes de veneno eu peço para não germinarem. E, caso germinem, que a beleza do meu Baobá espiritual não seja barreira perante a necessidade de derrubá-lo.    

Por favor, deixe o outro passar

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O que é se não a essência da vida em comunidade,  o respeito ao próximo? Seja lá quão próximo ou distante ele seja. Aqui do alto vejo a falta que isto faz. A menos de um susto ou outro que levo, pouco me faz diferença. Vivo fora, praticamente a mercê de todos. Mas não cego, e sim altivo e brilhoso lanço meu olhar sobre o cotidiano ao redor. Ele avança erroneamente, acha que dá, mas não deu certo. Assusta ela e, ao invés de um “bom dia, como estas elegante e bonita”, quem sabe não seria ai o início de um belo romance, xinga e é xingado. O romance dá lugar a um drama sem fim e sem razão. Esta visão com a qual fui privilegiado me permite ver a beleza de um cantinho de praça com seu banco esbranquiçado. Vazio, evitado pelo barulho das pessoas e coisas que por perto passam. A gritaria aguda sobrepõe-se ao veludo de um sussurar apaixonado. Já foi a época de ser um banquinho para apaixonados. Ela ia pedir ele em casamento. Engraçado não? No instante derradeiro, belos joelhos femininos prostra...

CEP: Geladeira

Dorotéia era uma pizza que estava morando em minha geladeira. Acabei jogando fora quando desconfiei que ela estava de saco cheio da morada. Creio que foram umas 5 semanas naquele CEP. Marta, uma vizinha da prateleira de cima, já dominava a área há algum tempo. Era um ser complexo, com uma profundidade psicológica multidiversificada. Ou seja, uma cebola e suas várias camadas. Já Tobias, este é um fanfarrão. Gordinho, rechonchudo como ele mesmo. Costumava passar o dia com um sorriso amarelo estranho. Hoje já está meio desgastado, puxado para o marrom. Nunca descobri que variedade de Melão ele é, mas que é um Melão, tenho certeza. Seu Constantatino, o pimentão murcho. Já foi verde, já foi vermelho. Agora vive amarelado, meio adoentado, o bichinho. Maristela, a manteiga que ninguém sabe a idade e mente o peso. Tenho pra mim que ela é uma margarina. Sem sal, ainda por cima. Seu Constantino jura que provou e acusou-a de estar além do prazo de validade. Pierre, um vinho que só reclama da vida...

Verde Esperança

Oi. Tudo bom?  Deixa eu me apresentar. Faço parte da imensa popula ção dos quase-gordinhos querendo ficar menos gordinhos. Graças a pesquisas exaustivas cheguei em uma dieta perfeita. Revolucionário por assim dizer. Pesquisas nem tanto cientificas n em tanto culinárias. Algo  do dia   a   dia ,  mesmo. Prática. Talvez não tão prática,  porém  eficiente. Assim como... usar a palavra “como” me dá vontade de comer. Enfim, da mesma forma como (opa!) grandes descobertas da humanidade, foi mais ou menos sem querer que encontrei uma luz no universo das milagrosas receitas milagrosas . Para falar a verdade, nunca tentei nenhuma delas, por isto não espero que você tente  também . Sempre fui  adepto   do  papo “exercício, alimentação e sacrifício”. Infelizmente ,  existe um abismo gigantesco e ntre  o que se pensa e o que se faz. Especialmente quando o assunto são guloseimas e  exercícios matinais. Exatamente! E sse seu sorriso te entrega. Você sabe do que estou falando! Sábados. Sábados, além d...

A Não-Lembrança

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A lembrança do que não foi, ou do que poderia ter sido e nunca mais será, invade minha memória de uma forma que nenhum passado concreto poderá entender. Outro dia desses estava conversando com uma amiga sobre meu fim de semana. "Ah... Fiquei bem chateado. Queria ter conversado com meu irmão e ele passou dois dias de ressaca." E lá vem mais um passado não acontecido para amargar o doce sabor do que poderia ter vindo a ser. Não vamos pôr a culpa sempre no licor dos risos, no lubrificante social, como é conhecido assim o elixir etílico. Minhas casas são recheadas de quase-memórias. Bem mais novo, inventei alguma brincadeira de ver quem rodava a mochila mais rápido na sala de casa. Não lembro quem venceu a competição, mas eu e meu irmão ganhamos um bom castigo por termos quebrado um par de jarros (por sinal, este já foi um dos milhares de apelidos gêmeos que recebi, par de jarros). Coitados, eles tinham uns 16 anos na época e eram uma lembrança de alguma comemoração dos meus pais...

Correr Descalço

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Havia tropeçado tantas vezes naquela pedra que já imaginava a dor antes mesmo de a sentir. Todo seu calculo e detalhado planejamento fora por água abaixo. O cansaço o alcançou. Adorava correr de pés descalços. Sentir a aspereza do chão de terra. Todos os seus detalhes, pedrinhas, meros detalhes eram sentidos amplamente pela primeira camada de pele de seu corpo. A despeito da dor, adorava correr. Faz parte, o faz sentir vivo. Havia escolhido um belo lugar hoje. Bem distante de tudo, porém plano. Sua trilha alternava de textura e tonalidade como se uma mudança fosse algo fácil. Ora crespo, o solo não mais o feria como da primeira vez. Nada como experiência para engrossar as solas. Mesmo assim incomodava. A natureza,  uma bela e enfurecida mulher, intercalava as espetadas cascacolhasas por um carinho suave, um constante e macio alisar provido pela delicada grama. A velocidade da corrida deixou de ser o principal. Devagar ou rápido, estes adjetivos foram banidos de sua lista de preferência...

Uma Conversa de 90 Anos - Um dia comum

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Mais um belo dia na casa de minha avó. Nada de palmadas, nem de palavras inteligentes retiradas de um livro qualquer, escrito por alguma reencarnação do Dalai Lama ou outro grande mestre oriental (mestres orientais sempre me parecem mais mestres). Apenas mais um dia. Foi só um dia na sua companhia, porém estes momentos são recheados de simplicidade e tranquilidade. Difícil explicar exatamente o que sente quando ela está presente. A manhã já corria a todo vapor quando chegamos à casa “avozal” em um sábado qualquer. E a conversa logo começou na sala. A pauta do noticiário informal estava repleta de notícias interessantes: Zeca Fulano, filho de Dona Maria, ia casar, pois engravidou Dolores, irmã de João da Faca. Chico do Boné abriu um posto de gasolina logo ali, depois da curva, ao lado da casa de Tonho Tatu. Este, por sinal, estava muito irritado com o cheiro do combustível. Acontece que, para economizar, Chico colocou sua filharada para encher o tanque dos carros. Só que os moleques viv...

Manias de Não-Tão Velho

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      Eu odeio escrever “conseqüência” sem o trema. Toalha na cama me deixa irritado. Molho a escova de dente antes de passar a pasta mesmo sem saber o porquê. Primeiro o sal na salada, depois o azeite. Depois picoto tudo. Deito na cama à noite olhando para a esquerda e, imediatamente, viro-me completamente para a direita. Não passo por debaixo de escadas, dá azar. Primeiro como os doces do prato, depois os salgados. Isso nunca dá certo em festas. Deixo um último pedaço de carne para comer no final da refeição encharcado de molho. A estratégia é usar este naco como rodo de chão no prato. Coloco o açúcar (se minha nutricionista estiver lendo isto, quero deixar claro que é adoçante) na xicara antes de por o café. E o leite sempre vai por último, a não ser que seja em pó. Neste caso vem antes do açúcar. Não saio de bermuda a noite. Nem de chinelo. Costumo sofer no verão. Sempre tento logar no meu email sem senha quando uso ele em um computador de outra pessoa. Só para ver se...

O Intruso

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No momento que Aprígio abriu os olhos ele sentia que não estava mais no controle da situação. Havia uma outra pessoa determinando seus passos e ações. Por mais estranho que pareça, esta entidade invasora dividia espaço com o Aprígio original na sua própria mente. A ele só restava observar e se angustiar. Aprígio tentou levantar da cama, afinal precisava tomar um bom banho, preparar o café-da-manhã e ir trabalhar. Porém, suas pernas não se moveram. Elas agora só obedeciam àquela outra consciência. E este visitante era um baita de um preguiçoso. Ao invés de erguer o corpo de Aprígio, ele insistia em abraçar vigorosamente o travesseiro curtido por anos de sono. Perseverante na ideia de permanecer deitado, suas pernas procuravam uma posição mais confortável no emaranhado formado pelos lençóis. A meia-luz que pulava da janela e o frio artificial do ar-condicionado tornavam o quarto um perfeito ambiente para homenagear o relaxamento e a inércia. Mas Aprígio estava aflito. Necessitava urgente...

Confiança na Guarda

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    E lá pelas tantas, cá estava eu suando, esbaforido de cansaço. O ar pesava para entrar e sair do corpo. O treino havia iniciado há pouco tempo, porém após alguns rounds desferindo golpes no saco, o corpo já emitia sinais de cansaço. Bater cansa muito, mas apanhar cansa muito mais. Por isto eu tentava me manter ativo o máximo possível nos treinos. Minha guarda já estava razoavelmente boa, faltava melhorar a potência dos socos e, naquele dia, o professor insistia bastante neste assunto. Sou o mais fraco e lento do treino, porém, sinceramente, isto não me abala nenhum um pouco. Pelo contrário, mais de um ano após iniciar o boxe já vi muita gente entrar e desistir com menos de um mês de suor. Continuar me põe no mesmo patamar dos mais antigos, nos iguala em pelo menos uma característica: a persistência. Os demais iniciantes foram desistindo, um a um, semana após semana. Alguns cansaram de pular corda, outros não suportaram a ardência que sentimos no braço para manter a guarda ...

Uma Conversa de 90 anos - As Saúvas da Minha Avó

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    - Chega de durmir seu zé-preguiça. Quero conversar.   Foi mais ou menos assim, de um jeito delicado e carinhoso que ela me acordou. Estava curtindo o colo de avó na sala. De todos os hábitos de infância, creio que seja um dos únicos que mantive: curtir um colo da avó. Mas ela queria conversar. - Hum... oi vó. Como você está? - Bem, mas com saudade da granja.   É verdade, havia uma semana que ela veio do interior para fazer alguns exames de rotina. E, em suas próprias palavras, ficar “tanto tempo assim” longe de sua casa era uma pesar.   - Falando nisso, como estão as coisas na granja? Plantando muito? - Que nada meu filho – “Ora bolas”, pensei, ela chama os netos de “filho” – estamos com uma peste de saúva.   Saúva, para os ignorantes urbanos, é uma formiga gulosa. Ela come tudo que vê pela frente, além de ter um ferrão maldoso e agourento. Deixa uma coceira no pé que não é brincadeira não...   - E por que vocês não colocam veneno? – Perguntei, log...

Uma Conversa de 90 Anos - Eu Acredito

    - Sabe meu filho? – Lá vinha vovó com um sorriso misterioso e engraçado estampado na face – Vez por outra, vem uma pessoa bem simpática e me fala que estou jovem. - Oxe vó, mas quantas senhoras da sua idade você vê por ai ativas? – O problema da “juventude” é falar demais... Ela ignorou este meu comentário e continuou a falar. -  Quando falam que estou jovem, acredito como se fosse verdade! Adoro elogios. Mas sei que não sou uma sombra do que já fui. Aliás, todo mundo. Mesmo assim, acredito como se fosse verdade!     Mais uma vez, retruquei com o melhor comentário que poderia fazer: meu silêncio.     “Acredito como se fosse verdade”

Uma Conversa de 90 Anos - A Cheia

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Outro dia destes, estava conversando com minha avó de quase 90 anos: frivolidades, o tempo a cor do sofá, o último médico que ela foi, o encontro da terceira idade etc. De repente, ela me falou: - Gostaria de um retrato de vocês pois, na última Cheia... Fazia algum tempo, sua cidade havia pago um pedágio enorme para a Mãe Natureza: o rio encheu demais, subiu demais e destruiu demais. A cidade ficou em pedaços. Foi uma Cheia com letra maiúscula. Era necessário muita força e paciência para caminhar devido ao mar de lama. As águas subiram até o telhado das casas. Arrastaram tudo que encontraram no caminho. Apareceu até na TV da França. Lembro disto pois estava voltando de uma viagem por lá. Disseram que havia formado uma cratera tão grande que uma carreta, daquelas de trocentos eixos e milhões de pneus Goodyear ou Firestone, foi engolida. Na época, fiquei com pena. A cratera, antes de engolir o caminhão, extinguiu uma bonita praça perto da casa da minha avó. Depois que vi o real estrago d...

Nutri-Guerra: Parte Segunda. A preparação

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(para entender como tu começou veja o post anterior: http://aquelecaminho.com/2014/01/19/nutri-guerra-parte-primeira-e-so-o-comeco)         - Bom, agora que temos todas as suas medidas, podemos começar a conversar.   Achei um pouco fria esta frase da Nutricionista. Ela só tirou “algumas medidas”. Faltam outras tão importantes quanto: que filmes assisto? Como estou me sentindo? Qual o nome dos meus amigos? Medir já é algo tão difícil, mas me transformar em centímetros, dobras e porcentagens é desumano. Mas não falei isso, fiquei com medo dela se irritar o puxar o alicate de gordura (adipometro, lembra?)...   - Você gosta de beber? - Água? Sim. - (Risos). Não, não. Cerveja, destilados, estas coisas. - Eventualmente. - Pois tenho uma ótima notícia! - Oba! - Esta proibido. Além de se sentir muito melhor, você não terá mais ressaca. - Oxe, mas o mundo ficará mais pesado, menos leve. Seria injusto da minha parte fazer isto com o Planeta. Além do mais, a maioria d...

Nutri-Guerra - Parte Primeira

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- Oi. Tudo bem? - Tudo. E você? O que te trouxe aqui? - Me sinto gordo. Cansei disso. - Fofo? - Gordo - Cheio? - Gordo. - Então quer emagrecer? - Não. Quero transformar essa pelota que tenho no abdômen em 6 tanques de guerra. Pode ser? - Vamos tentar. Foi assim que começou minha ida a nutricionista. Duas semanas antes do Natal, uma semana antes da semana nacional das confraternizações de fim de ano: 7 festas em 6 dias. Ilusão, coragem ou otimismo utópico? Sei lá. Até tentei mar marcar horário para o próximo ano, mas estava cheio. Fui logo. - Então vamos lá – disse a profissional, toda de branco e com um alicate monstruoso nas mãos. - Pera ai! Esse é o alicate da humilhação. Não quero. - É para nosso bem. E se chama adipometro. Você trouxe short? Não, não tinha levado short. Ela não havia avisado. Mas fui com uma cueca nova, bem bonitinha comprada em loja de grife de cueca, bem melhor que aquelas de lojas de departamento. Super respeitosa. Para evitar vexames. - Tudo bem. Eu tenho um sh...

O Jornal Dos Outros

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Lá estava eu, no metrô. Aliás, este é um cenário comum, talvez não pelo tempo que passe neste transporte, mas pela situação que acaba ocorrendo.Imagine-se, trancando dentro de uma lata de sardinha, embaixo da terra. Em uma situação assim, restam poucas coisas para fazer. Geralmente, me distraio lendo o jornal alheio, um esporte que, por sinal, venho desenvolvendo já há algum tempo.Atualmente treino para a próxima etapa: leitura completa de um livro alheio. Não entendo o porquê, mas o jornal costuma ficar mais interessante na mão dos outros, apesar de ser distribuído gratuitamente na entrada da lata de sardinha. Enfim, lá estava eu. Indo ou vindo, não interessa. Um detalhe inútil: estava em pé.Inútil para todos, menos para mim.Mas o fato é que eu estava em pé. Ontem, o senhor sentado na cadeira do lado se deu o trabalho de pegar um folhetim gratuito: “METRO” o nome do jornal. A criatividade reina nos subterrâneos urbanos. Há diversas formas de entender uma pessoa. Hoje consigo descrever...

Dentro do Ringue

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Treino boxe há pouco mais de 1 ano. Comecei devagar. Primeiro é necessário aprender a pular corda e a postura. Postura correta: barriga para dentro, levemente direcionada ao lado, braços em posição de guarda. Um protege a face, o outro o queixo. Olhos atentos ao adversário a frente. Primeiro o adversário é imaginável, depois se transforma em uma saco vermelho (muitas vezes vagabundo) que te olha sempre com olhos apáticos e rasgados. Muito depois se materializa em um colega. Jab, direto, se movimentar. Pular corda é muito difícil, mas acaba-se aprendendo. Difícil mesmo é aguentar pular sem parar. Vem com o tempo. Também com determinação. Mas tempo é importante A esquiva é complicada. Bater é fácil. Evitar o soco são outros quinhentos. Nem quinhentos são, mas alguns meses de preparação se fazem necessários. Ainda não aprendi. Esquiva é mais complicado mesmo. O saco esquiva bem. Na aula acerta-se uma sequência no saco: jab-jab-direto-jab. Ele começa a se movimentar. A próxima sequência nã...

Culinária do Medo: O Risoto Ignorante

Agora o que está na moda é cozinhar. Após muito tempo aprimorando meus dons dos domínio de cuca, creio que cheguei ao ápice da eficiência culinária com a receita que transcrevo abaixo. ---------------------------------- Toda boa e tradicional receita deve ter como primeiro tópico a lista de ingredientes. Mas esta não. Não... ela faz parte da Cozinha Milenar: a Culinária do Medo. Vou começar com a lista de objetivos! Nada mais hediondo na vida do que uma tarefa sem objetivo (aos filósofos de plantão: o mito de Sísifo da culinária). O alvo de qualquer receita "Ignorante" deve ser claro:  1 – Sujar o mínimo de panelas, garfos, facas ou qualquer coisa que precise ser lavada depois (se sua panela é auto-lavável, blz!!!! Use quantas quiser) 2 – Alimentar o bucho. Não tem nada a haver com paladar. Tem haver com alimentar. Ficar saboroso é pura consequência de mais uma missão cumprida e bem cumprida. Espero que a lista de intentos esteja clara, simples e concisa. Vamos prosseguir. Ag...

Simples e Confuso

  Acordar, no meio do sono, acordar é muito mais que levantar. Acordar é esquecer as maravilhas oníricas que só um travesseiro surrado pode te dar.    É deixar para trás aquelas horas (ou minutos!) que não nos lembramos, porém que sentimos tanta falta. Acordar é esquecer sim.   Mas acordar é diferente de levantar. Levantamos ainda dormindo, levantamos ainda esquecidos de acordar, porém lembrados de sonhar.    Com olhos fechados, os corredores gritam suas paredes em nosso caminho e, meio que sem saber, chegamos na cozinha. Sim, na cozinha. Para tomar banho. Só então percebemos, ainda dormindo, que a cozinha é na verdade o banheiro.  Maravilhas de levantar dormindo.       Ainda sem acordar, pois nem sempre um banho na cozinha-banheiro nos acorda, nossa querida casa sussurra os demais afazeres matinais. Olhos bem fechados, a cara modelada pelo formato do travesseiro.    Orelhas vermelhas.    Vermelhas de sono... pelos? Levantados, e-r-i-ç-a-d-o-s. Dedos do pé pulsando, implorando para co...