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Ciúme Aprigiano

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“Ah Aprígio! Deixa de ser ciumento.” Esta frase era como um mantra sendo constantemente repetida para o velho e bom Aprígio. No começo somente sua mulher o recitava. A cena típica acontecia na ocorrência de um decote um pouco mais ousado ou na ausência de alguns insignificantes centímetros na barra da saia. Todavia, seu olhar em muita diferia daquela ríspida e flamejante encarada tão normal aos que sofrem de paranoia afetiva, de ciúme mesmo. Ao invés de suas artérias estarem ardendo nas chamas do ódio, seus globos oculares eram banhados de um tipo de paz. Um olhar calmo, tranquilo e, até mesmo, carinhoso... Sua expressão costumava ficar envolta em uma camada de pura inocência. Mesmo assim, ali no fundo dos olhos, bem no cantinho mesmo, perto da divisa entra a visão e o tato, era possível perceber um tantinho de desaprovação. Seu ciúme pode ser classificado na forma mais estranha de todas: o ciúme infundado. Não havia razões conhecidas ou desconhecidas, explicitas ou ocultas para foment...