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Mostrando postagens com o rótulo Cuidado

Parece com o quê?

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E quando ele ri, parece o Pateta, no sentido engraçado e fofinho da coisa (Iac). E quando fala, parece o Confúcio, no sentido sábio e paciente também da coisa. E quando explica parece Einstein, no sentido e direção inteligente da coisa. E todos os filósofos tem ciúmes ou inveja dele, menos os que ainda não nasceram. E só por isso, porque não nasceram ainda. Mas quando dá um abraço, parece Gigi, o ursinho de pelúcia que deu para meu sobrinho quando ele nasceu. Mas quando dá um cafuné é igualzinho a vovó, a melhor cafuneseira do mundo. E quando liga, parece um bombeiro que chega sempre na hora certa para apagar algum incêndio. Porque, um certo dia, ele me ligou, deu “oi”, falou “Não deixe que ninguém te faça triste, viu?” e desligou o telefone. Quando desliga, parece um bom pensamento, porque sempre fica mais um pouco. Quando come, parece minha sobrinha, no sentido que se mela todo quando pega o caranguejo com a mão. Porque foi assim, também, que me ensinou a comer caranguejo. E poderia ...

Cheio de Saudade

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Fim de uma tarde tímida de domingo. Um frio gostoso o faz procurar o quente de uma coberta. Tons cinzas pincelam o céu e dão um pouco de descanso para o belo azul de outros dias. Não conheço muito de “caras”, mas está na cara que algo bate em seu coração. Pouco o vejo aqui em casa. Relego-me a um canto da vida. Já o vi mais alegre, altivo. Parece-me que tirou seu carro da auto-estrada rápida da vida e trocou por uma carroça de melancolia pastorando pelas trilhas do pesar. Que exagero, não? Há alguns dias o telefone tocou. Logo depois do “alô” se sucederam três segundos de eternidade. Foi ali que percebi, algo mudou. Para quem estava acostumado a abrir as cancelas de todo o mundo e domar boi furioso apenas com um “bom dia”, só há uma coisa capaz de abater assim. Se chama saudade. Pela sua expressão facial, devia estar doendo mais do que pedrada certeira bem onde a testa faz quina com o couro cabeludo. Pena, mas não posso abraça-lo. Ou mesmo acariciar seus cabelos. Para quem não sabe, do...

Ciúme Aprigiano

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“Ah Aprígio! Deixa de ser ciumento.” Esta frase era como um mantra sendo constantemente repetida para o velho e bom Aprígio. No começo somente sua mulher o recitava. A cena típica acontecia na ocorrência de um decote um pouco mais ousado ou na ausência de alguns insignificantes centímetros na barra da saia. Todavia, seu olhar em muita diferia daquela ríspida e flamejante encarada tão normal aos que sofrem de paranoia afetiva, de ciúme mesmo. Ao invés de suas artérias estarem ardendo nas chamas do ódio, seus globos oculares eram banhados de um tipo de paz. Um olhar calmo, tranquilo e, até mesmo, carinhoso... Sua expressão costumava ficar envolta em uma camada de pura inocência. Mesmo assim, ali no fundo dos olhos, bem no cantinho mesmo, perto da divisa entra a visão e o tato, era possível perceber um tantinho de desaprovação. Seu ciúme pode ser classificado na forma mais estranha de todas: o ciúme infundado. Não havia razões conhecidas ou desconhecidas, explicitas ou ocultas para foment...

Confiança na Guarda

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    E lá pelas tantas, cá estava eu suando, esbaforido de cansaço. O ar pesava para entrar e sair do corpo. O treino havia iniciado há pouco tempo, porém após alguns rounds desferindo golpes no saco, o corpo já emitia sinais de cansaço. Bater cansa muito, mas apanhar cansa muito mais. Por isto eu tentava me manter ativo o máximo possível nos treinos. Minha guarda já estava razoavelmente boa, faltava melhorar a potência dos socos e, naquele dia, o professor insistia bastante neste assunto. Sou o mais fraco e lento do treino, porém, sinceramente, isto não me abala nenhum um pouco. Pelo contrário, mais de um ano após iniciar o boxe já vi muita gente entrar e desistir com menos de um mês de suor. Continuar me põe no mesmo patamar dos mais antigos, nos iguala em pelo menos uma característica: a persistência. Os demais iniciantes foram desistindo, um a um, semana após semana. Alguns cansaram de pular corda, outros não suportaram a ardência que sentimos no braço para manter a guarda ...

Uma Conversa de 90 anos - As Saúvas da Minha Avó

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    - Chega de durmir seu zé-preguiça. Quero conversar.   Foi mais ou menos assim, de um jeito delicado e carinhoso que ela me acordou. Estava curtindo o colo de avó na sala. De todos os hábitos de infância, creio que seja um dos únicos que mantive: curtir um colo da avó. Mas ela queria conversar. - Hum... oi vó. Como você está? - Bem, mas com saudade da granja.   É verdade, havia uma semana que ela veio do interior para fazer alguns exames de rotina. E, em suas próprias palavras, ficar “tanto tempo assim” longe de sua casa era uma pesar.   - Falando nisso, como estão as coisas na granja? Plantando muito? - Que nada meu filho – “Ora bolas”, pensei, ela chama os netos de “filho” – estamos com uma peste de saúva.   Saúva, para os ignorantes urbanos, é uma formiga gulosa. Ela come tudo que vê pela frente, além de ter um ferrão maldoso e agourento. Deixa uma coceira no pé que não é brincadeira não...   - E por que vocês não colocam veneno? – Perguntei, log...