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Meu Adversário

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Ansiava por este dia. Uma meta individual e silenciosa. Desde sempre, meus treinos eram isto. Treinos. Treinos para algo mais. Não. Não desejava uma luta profissional. Não desejava lutar. Mas minha meta era treinar com ele. Contra ele. Dia após dia suei. Estudei cada movimento. Como socar. Como fazer a alavanca com o corpo. Como me defender. Como atacar para me defender. Correr cada vez mais. Esquivar. Aguentar cada vez mais. Um assalto. Dois. Três. Quatro. Cada assalto extra é uma maratona. Três minutos eternos. Respirações eternas. Raiva transformada em movimento. Concentração. Um dia seria chamado para o ringue. Um dia lutaria contra o próprio mestre. Contra o professor. Um dia. Dediquei os movimentos dos pés. Sincronizei-os com os ombros. Coordeneis meus braços cansados. Olhos furiosos. Calmos. Dedicados. Focados. Em um treino cheio, apenas enxergava o adversário. Suas luvas. Seus movimentos. Suas fraquezas e seus pontos fortes. “Você!”, disse. Venha aqui! Foram meses de dedicação ...

Sobre o que escrever

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No que tanto penso em escrever quando não vem nada à cabeça? Investigo todos no vagão à procura de um bom e fácil mote. Nada feito. A maioria está imersa em seus celulares, zumbis digitais. Alguns poucos conversam alto, porém palavras sem sentido para mim. Uma moça lê sua revista, mas a matéria não parece ser muito interessante. Pessoas sobem e descem em cada estação. Costuma haver interesses de dois grupos de pessoas em jogo neste momento: os que entram e os que saem. É assim a guerra na porta do vagão do metrô. Há uma menina bem bonita, com uma tatuagem que me parece de algum alfabeto do sul-asiático. Não só não sei, como nunca saberei. Outra mulher abriu um pacote de jujuba. Deu fome. Dois bêbados jogam uma espécie de porrinha no fundo do vagão. Não consegui entender a regra que usavam, mas se divertiram por quatorze estações. Alguém comenta perto de mim “eles incomodam, não é?”. “Que nada!”- respondeu um terceiro, “pior sou eu que estou peidando desde que embarquei e ninguém reclam...

O Varal

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Pequenos prazeres na vida podem aumentar sua qualidade de existência de uma forma imensurável. Sabe como? Só vivendo para descobrir. Mas outro domingo destes fui agraciado com um belo exemplo de algo que se vem se mostrando paciente professor: o destino. Faz 1 ano, exatamente 1 ano. Ok, talvez aproximadamente. Mas este é o tipo de expressão que traz drama para o texto. Chega de drama na vida? Então vou recomeçar. Faz um ano, ou algo assim. Porém faz tempo o suficiente para já ter me incomodado bastante. Não te condeno caso não entenda o que estou dizendo. Aliás, ainda não disse nada. Faz um ano e só sei falar disto neste texto. Mesmo assim não disse nada. Há pequenas coisas que podem mudar sua qualidade de vida de uma maneira surpreendente. Exemplos? Um “bom dia” com sorriso é um começo. Um começo batido, já bem desgastado pelo uso, porém, sempre, um bom começo. Chegar na parada e o ônibus estar te esperando. Chegar no metro e ele não atrasar (pasmem, atrasa mais do que o ônibus). Cheg...