Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Saudade

Cheio de Saudade

Imagem
Fim de uma tarde tímida de domingo. Um frio gostoso o faz procurar o quente de uma coberta. Tons cinzas pincelam o céu e dão um pouco de descanso para o belo azul de outros dias. Não conheço muito de “caras”, mas está na cara que algo bate em seu coração. Pouco o vejo aqui em casa. Relego-me a um canto da vida. Já o vi mais alegre, altivo. Parece-me que tirou seu carro da auto-estrada rápida da vida e trocou por uma carroça de melancolia pastorando pelas trilhas do pesar. Que exagero, não? Há alguns dias o telefone tocou. Logo depois do “alô” se sucederam três segundos de eternidade. Foi ali que percebi, algo mudou. Para quem estava acostumado a abrir as cancelas de todo o mundo e domar boi furioso apenas com um “bom dia”, só há uma coisa capaz de abater assim. Se chama saudade. Pela sua expressão facial, devia estar doendo mais do que pedrada certeira bem onde a testa faz quina com o couro cabeludo. Pena, mas não posso abraça-lo. Ou mesmo acariciar seus cabelos. Para quem não sabe, do...

Planejando uma Mala

Imagem
  Separei as camisas. Uma, duas, três. Hum... melhor pôr mais duas extras só por desencargo de consciência, vai que preciso sair e todas estão sujas? Quem já arrumou a mala para viajar e nunca pensou assim? Arrumar a mala pode ser um desafio de planejamento. Esqueçam aquelas malas gigantescas que os desengonçados turistas de plantão levam para viagens mundo a fora. Não, não... vamos focar em curtas jornadas. Ainda mais, que tal se restringir ao fim-de-semana estendido que tantos costumam passar em sua cidade-natal? Você já mora lá? Tente imaginar, ora bolas. Eu não moro. Arrumar a mala costuma ser uma peleja na tentativa de esboçar todas as situações possíveis de ocorrer.  É necessário levar tudo que possa vir a ser necessário. Coitado destes que moram em suas cidades-natal, nunca foram desafiados pelo presente a antever o futuro. Porque passar o fim de semana ali na praia é fácil, você sabe que vai para a praia. Visitar a terra das lembranças envolve uma ansiedade de fazer tudo, d...

Não é pelo Carnaval...

Imagem
Não é pelo Carnaval. Bom, até é pelo Carnaval, também. Existe uma razão muito maior do que uma simples festa de 4-5 dias. Um dia normal de Carnaval começa com um resmungo. Um devaneio de esperança ao qual todos são submetidos em uma espécie de ilusão coletiva: “iremos cedo para as ladeiras da cidade histórica” é o que dizem. Querer, desejar e ansiar pelos ladrilhos da urbe-irmã-vizinha é algo muito bonito, contudo, é completamente diferente de acordar e ir. Eu, particularmente, nunca consegui. Aplaudo de pé, fantasiado e frevando todos aqueles que, às 8h da madrugada dos dias de Momo, encontram-se sorrindo, produzidos e alegres pelos sobe-e-desce de Olinda. De qualquer forma, quando se chega lá, os lábios espreguiçam-se e correm a acordar na necessidade de formar aquele primeiro sorriso de Carnaval. A mulher-maravilha está logo ali, desfilando ao lado da vovó-maravilha. Hulk, homem-aranha e suas crias. A banda esgolenado-se nos metais. Colegial, hummm. Cerveja, chuva de espuma. A caixa...