Um banco na praça
Sentou na praça, em um banco branco de praça. Nada o incomodava tanto naquele exato momento. Mesmo assim, seus olhos deixavam o claro o peso que a alma carregava. Um suspiro desprendeu-se de seus pulmões e, como o novilho desgarrado, fugiu de seu corpo. Alcançou algo mais a frente. Em outro singelo descanso público, logo vizinho ao seu momentâneo templo de repouso, a pequena e fujona massa de ar encontrou ouvidos alheios antigos. Ouvidos que já escutaram tanto... Capazes de perceber o passar o do tempo meramente pelo efêmero tic-tac entoado pelo relógio do destino. Ouvidos em repouso, apenas admirando a contínua transformação de futuro em passado. _Não vale a pena meu jovem – Palavras ecoaram entre os dois bancos da praça. – Não vale a pena. “Oi?”, respondeu perguntando. _Seja o que for, não vale a pena este seu pesar. Eles estão te oprimindo? Todos nos fazem mal. “Como você sabe?”, perguntou respondendo. _É assim nosso mundo: quando você brilha, querem te apagar. Quando é opaco feito ...