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Um banco na praça

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Sentou na praça, em um banco branco de praça. Nada o incomodava tanto naquele exato momento. Mesmo assim, seus olhos deixavam o claro o peso que a alma carregava. Um suspiro desprendeu-se de seus pulmões e, como o novilho desgarrado, fugiu de seu corpo. Alcançou algo mais a frente. Em outro singelo descanso público, logo vizinho ao seu momentâneo templo de repouso, a pequena e fujona massa de ar encontrou ouvidos alheios antigos. Ouvidos que já escutaram tanto... Capazes de perceber o passar o do tempo meramente pelo efêmero tic-tac entoado pelo relógio do destino. Ouvidos em repouso, apenas admirando a contínua transformação de futuro em passado. _Não vale a pena meu jovem – Palavras ecoaram entre os dois bancos da praça. – Não vale a pena. “Oi?”, respondeu perguntando. _Seja o que for, não vale a pena este seu pesar. Eles estão te oprimindo? Todos nos fazem mal. “Como você sabe?”, perguntou respondendo. _É assim nosso mundo: quando você brilha, querem te apagar. Quando é opaco feito ...

Meu Adversário

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Ansiava por este dia. Uma meta individual e silenciosa. Desde sempre, meus treinos eram isto. Treinos. Treinos para algo mais. Não. Não desejava uma luta profissional. Não desejava lutar. Mas minha meta era treinar com ele. Contra ele. Dia após dia suei. Estudei cada movimento. Como socar. Como fazer a alavanca com o corpo. Como me defender. Como atacar para me defender. Correr cada vez mais. Esquivar. Aguentar cada vez mais. Um assalto. Dois. Três. Quatro. Cada assalto extra é uma maratona. Três minutos eternos. Respirações eternas. Raiva transformada em movimento. Concentração. Um dia seria chamado para o ringue. Um dia lutaria contra o próprio mestre. Contra o professor. Um dia. Dediquei os movimentos dos pés. Sincronizei-os com os ombros. Coordeneis meus braços cansados. Olhos furiosos. Calmos. Dedicados. Focados. Em um treino cheio, apenas enxergava o adversário. Suas luvas. Seus movimentos. Suas fraquezas e seus pontos fortes. “Você!”, disse. Venha aqui! Foram meses de dedicação ...

Correr Descalço

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Havia tropeçado tantas vezes naquela pedra que já imaginava a dor antes mesmo de a sentir. Todo seu calculo e detalhado planejamento fora por água abaixo. O cansaço o alcançou. Adorava correr de pés descalços. Sentir a aspereza do chão de terra. Todos os seus detalhes, pedrinhas, meros detalhes eram sentidos amplamente pela primeira camada de pele de seu corpo. A despeito da dor, adorava correr. Faz parte, o faz sentir vivo. Havia escolhido um belo lugar hoje. Bem distante de tudo, porém plano. Sua trilha alternava de textura e tonalidade como se uma mudança fosse algo fácil. Ora crespo, o solo não mais o feria como da primeira vez. Nada como experiência para engrossar as solas. Mesmo assim incomodava. A natureza,  uma bela e enfurecida mulher, intercalava as espetadas cascacolhasas por um carinho suave, um constante e macio alisar provido pela delicada grama. A velocidade da corrida deixou de ser o principal. Devagar ou rápido, estes adjetivos foram banidos de sua lista de preferência...