Sobre o que escrever
No que tanto penso em escrever quando não vem nada à cabeça? Investigo todos no vagão à procura de um bom e fácil mote. Nada feito. A maioria está imersa em seus celulares, zumbis digitais. Alguns poucos conversam alto, porém palavras sem sentido para mim. Uma moça lê sua revista, mas a matéria não parece ser muito interessante. Pessoas sobem e descem em cada estação. Costuma haver interesses de dois grupos de pessoas em jogo neste momento: os que entram e os que saem. É assim a guerra na porta do vagão do metrô. Há uma menina bem bonita, com uma tatuagem que me parece de algum alfabeto do sul-asiático. Não só não sei, como nunca saberei. Outra mulher abriu um pacote de jujuba. Deu fome. Dois bêbados jogam uma espécie de porrinha no fundo do vagão. Não consegui entender a regra que usavam, mas se divertiram por quatorze estações. Alguém comenta perto de mim “eles incomodam, não é?”. “Que nada!”- respondeu um terceiro, “pior sou eu que estou peidando desde que embarquei e ninguém reclam...