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Sobre o que escrever

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No que tanto penso em escrever quando não vem nada à cabeça? Investigo todos no vagão à procura de um bom e fácil mote. Nada feito. A maioria está imersa em seus celulares, zumbis digitais. Alguns poucos conversam alto, porém palavras sem sentido para mim. Uma moça lê sua revista, mas a matéria não parece ser muito interessante. Pessoas sobem e descem em cada estação. Costuma haver interesses de dois grupos de pessoas em jogo neste momento: os que entram e os que saem. É assim a guerra na porta do vagão do metrô. Há uma menina bem bonita, com uma tatuagem que me parece de algum alfabeto do sul-asiático. Não só não sei, como nunca saberei. Outra mulher abriu um pacote de jujuba. Deu fome. Dois bêbados jogam uma espécie de porrinha no fundo do vagão. Não consegui entender a regra que usavam, mas se divertiram por quatorze estações. Alguém comenta perto de mim “eles incomodam, não é?”. “Que nada!”- respondeu um terceiro, “pior sou eu que estou peidando desde que embarquei e ninguém reclam...

Confiança na Guarda

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    E lá pelas tantas, cá estava eu suando, esbaforido de cansaço. O ar pesava para entrar e sair do corpo. O treino havia iniciado há pouco tempo, porém após alguns rounds desferindo golpes no saco, o corpo já emitia sinais de cansaço. Bater cansa muito, mas apanhar cansa muito mais. Por isto eu tentava me manter ativo o máximo possível nos treinos. Minha guarda já estava razoavelmente boa, faltava melhorar a potência dos socos e, naquele dia, o professor insistia bastante neste assunto. Sou o mais fraco e lento do treino, porém, sinceramente, isto não me abala nenhum um pouco. Pelo contrário, mais de um ano após iniciar o boxe já vi muita gente entrar e desistir com menos de um mês de suor. Continuar me põe no mesmo patamar dos mais antigos, nos iguala em pelo menos uma característica: a persistência. Os demais iniciantes foram desistindo, um a um, semana após semana. Alguns cansaram de pular corda, outros não suportaram a ardência que sentimos no braço para manter a guarda ...