Uma Casa Simples
Era uma casa simples.
Quartos, sala, cozinha... móveis.
Suas paredes passaram anos vestindo branco. Depois de um tempo, outras cores surgiram.
Muitos dos móveis vieram de uma casa anterior. Contavam histórias de famílias: cadeiras de madeira, bancos para jogar conversa fora, mesas de outrora.
O sofá... o sofá, amaciado por todos, sempre foi disputado como o melhor lugar para durmir.
Havia uma varanda.
Digo "havia", mas ainda há.
E populavam esta varanda, diversas plantas e uma mesa para a família tomar um café, uma cerveja ou mesmo jogar conversa fora.
Há sim... nesta varanda, era possível encontrar uma rede também.
Mas não era uma rede qualquer. Ela balançava devagarinho... tentando impor uma cadência carinhosa a fim de disputar com o sofá o posto máximo do desejo doméstico.
Na sala, aquela onde ficava o sofá, havia um TV grande.
Grande mesmo, grande em todas as dimensões. Diferente destas TV`s novas que lembram folhas de papel, a nossa lembrava era o dicionário todo mesmo.
De sua tela saiam as mais fantásticas imagens: coloridas, radiantes, pareciam saltar para fora daquela caixa.
A sala era um lugar, antes de tudo, de reunião. Reunião de família, de amigos, de paixões...
Na sala, a decoração era simples: quadros estranhos que eu não entendia, vasos, coisas que não podia quebrar, frágeis ao menor dos toques... havia de tomar cuidado.
Logo vizinha à sala, estava a cozinha. Vizinha de porta com porta.
De uma, dava para ouvir tudo que acontecia na outra.
Mas todo mundo fingia que não dava. Não eram vizinhas fofoqueiras.
A cozinha sempre foi um lugar especial, sabe? Não sei explicar direito. Sei que era bom. Tinha até uma TV, daquelas largas feito um Aurélio, porém bem menor do que a da sala (não eram vizinhas invejosas).
Para trocar de canal tinha que girar um pitoco (desculpem, mas não conheço outra palavra no Aurélio para isto): tec, tec, tec, saia do canal 2 para o 13.
Havia também, uma mesa quadrada para comer e conversar. Ficava encostada na parede. Foi preta de metal, depois virou amarela de madeira. Mas sempre quadrada, sempre encostada na parede.
Tínhamos que revezar ou sentar afastados. Era um bom lugar para conversar.
O corredor... o corredor era o maior campo de futebol do mundo... Sim, havia onde brincar fora de casa mas, às vezes, a partida era interna mesmo (vou levar uma bronca por revelar isto).
Cada quarto era um segredo.
Havia alguns momentos que não se podia entrar em nenhum que não o seu próprio.... mas sempre dava um jeito.
Era uma casa simples...
... simplesmente fantástica.
E, como era a sua?
A minha casa era metricamente igual, mas ainda sim não era igual....havia pessoas diferentes, gostos diferentes, mobília diferente.... Quando penso na minha casa, lembro da sensação e da expectativa que ela me causava. E por que? Por que minha casa eu a via de longe....as vezes, de muito longe.... Razão? minha casa estava nas alturas, no 13º andar. Estava não, está; porém ela não é mais minha casa. Era alto sabe. Sim, "era alto" pois embora ela não tenha diminuído, 13º andar antigamente não era como 13 andar hoje em dia. A cidade foi crescendo e parecia que, enquanto prédios novos e mais altos surgiam, os antigos diminuiam....como uma pessoa idosa que perde centímetros com relação a sua juventude. Tinha uma vista; não uma vista para a praia - essa ficava longe da nossa vista -, mas ainda sim, uma vista. Vista para um morro e uma escadaria que sempre me despertou a curiosidade de saber onde ela me levaria. Mas essa é outra história..Minha casa sempre me causava expectativa de chegar nela logo. Principalmente, na epocande escola. E por que? Por que depois de chegar no predio onde eu morava, ainda tinha de pegar o elevador. Elevador até o 13º andar as vezes parece ônibus - tem fila para entrar e para em várias paradas (andares) antes de você chegar no destino. E, as vezes, o melhor de uma "viagem" de elevador, é esperar ele chegar e, enquanto isso, encontrar e conversar com os amigos que vão na mesma "direção". Uns chegam logo, outros chegam bem depois. E ao chegar à minha casa, ver a porta de entrada era o que acabava com minha expectativa e me dava a ótima sensação: "enfim cheguei em casa"
ResponderExcluirNa casa dos meus pais, os aparelhos de TV rivalizavam. E, como na Copa de 74, a holandesa, conhecida por Philips, ganhou da brasileira, CCE.
ResponderExcluirOxe, mas não é tudo chinesa?
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